Gn. 12:1-2
“Ora, o SENHOR disse a Abrão:
Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu
te mostrarei. E far-te-ei
uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu
serás uma bênção.”
Após
a destruição do homem pelo dilúvio, por causa da violência em seu coração,
houve mais uma grande intervenção de Deus sobre a Terra – a destruição da Torre
de Babel1 e a confusão das línguas dos homens. Mas, é em Abrão que Deus continua o seu plano de redenção do homem, isso há uns quatrocentos
anos após o dilúvio.
Deus tinha
um plano tremendo através de Abraão. O Apóstolo Paulo afirma que, “Assim como
Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. Sabei, pois, que os
que são da fé são filhos de Abraão. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho
a Abraão, dizendo: Todas as
nações serão benditas em ti. De sorte que os que são da fé são benditos com o
crente Abraão.” (Gl. 3:6-9; VT.: Rm. 4)
Muitos são
os conceitos embutidos no projeto de redenção de Deus ao homem, entretanto,
quero fazê-lo atentar para o fato de que o período em que Abraão estava vivendo
é o mesmo período de Lei que
Noé recebera de Deus, ou seja: comer
carne, não comer carne com sangue e, não matarás.
Abraão era
chamado de amigo de Deus2, isso porque creu em Deus e, obedeceu ao chamado e envio de
Deus. E, o Senhor o escolheu para que através de sua vida a benção de Deus
chegasse a todos os homens da Terra, isso porque da sua descendência3 nasceria Jesus Cristo e de Jesus Cristo receberíamos a promessa4 que é o
Espírito Santo de Deus.
A Lei que viria depois em Moisés não foi e nem mesmo poderia ser
instrumento que nos fez merecedores da promessa ou benção de Deus “Porque a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo não foi feita pela lei a Abraão, ou à sua posteridade, mas pela justiça da fé.
Porque, se os que são da
lei são herdeiros, logo A FÉ É VÃ e A
PROMESSA É ANIQUILADA. Porque a lei opera a ira. Porque onde não há
lei também não há transgressão. Portanto, é
pela fé, para
que seja segundo a graça, a
fim de que a promessa seja firme a toda a posteridade, não somente
à que é da lei, mas também à que é da fé que teve Abraão, o qual é pai de todos
nós” (Rm. 4:13-16).
Assim,
quero resumir que Abraão nesse tempo de graça, semelhante ao
que alcançamos hoje em Cristo Jesus, buscava uma orientação de Deus e por isso, “... disse
Abrão: Senhor DEUS, que me hás de dar, pois ando sem filhos, e o mordomo da
minha casa é o damasceno Eliézer? Disse mais Abrão: Eis que não me tens dado
filhos, e eis que um nascido na minha casa será o meu herdeiro. E eis que veio
a palavra do SENHOR a ele dizendo: Este não será o teu herdeiro; mas aquele que
de tuas entranhas sair, este será o teu herdeiro. Então o levou fora, e disse: Olha agora para os céus, e conta
as estrelas, se as podes contar. E disse-lhe: Assim será a tua descendência.
E creu ele no SENHOR, e imputou-lhe isto por justiça.” (Gn. 15:2-6).
Deus chamou
Abrão aos setenta e cinco anos de idade, tempo esse em que ele ainda não tinha
filho, porque, embora fosse casado, sua mulher era estéril5. Entretanto, desde que Deus
chamou a Abrão, Ele lhe deu a promessa de herdeiros de tal forma que ele se
tornaria uma poderosa nação “como as estrelas do céu”.
Pode soar
engraçado para você, mas, está implícito nessa questão que, Abrão não receberia
o filho gerado do Espírito Santo, mas, que ele
deveria providenciar esse filho. Deus permitiu que Abrão mantivesse
relações sexuais com a sua esposa por anos a fio, e isso tudo sendo Ele
onisciente, ou seja, ciente da esterilidade de Sarai. Além disso, Deus poderia
por sua onipotência curá-la em qualquer momento, mas, Ele não o fez.
Pense um
pouco, se Deus sabia que Sara era estéril, sabia que eles não poderiam ter
filhos, então, porque os estimulou a gerarem um filho? É claro que Deus estava
provando a fé de Abraão ou, criando-a, assim como a de Sara, mas, com esse
instrumento?
Segundo o
que já vimos, se o sexo realmente fosse pecado, então, Deus teria feito de
Abraão e Sarai grandes pecadores. Mas, novamente eu quero lembra-lo que Deus a ninguém tenta! Deus não
estimula o homem ao pecado, mas, a santidade6!
Deus não
estava somente provando a fé de ambos, ele estava abençoando o relacionamento
dos dois; estava gerando intimidade, amor, compromisso, companheirismo,
comunhão, etc., e isso tudo através da relação sexual ou da intimidade.
Mais uma
vez, sexo não é pecado, é sagrado! É
santo porque é separado ao propósito do Senhor!
Preste
atenção em outra direção que Deus deu a Abraão. Ele disse: “... Ocultarei eu a Abraão o
que faço, visto que Abraão certamente virá a ser uma grande e poderosa
nação, e nele serão benditas todas as nações da terra? Porque eu o tenho
conhecido, e sei que ele há de ordenar a seus filhos e à sua
casa depois dele, para que guardem o
caminho do SENHOR, para agir com justiça e juízo, para que o SENHOR
faça vir sobre Abraão o que acerca dele tem falado.” (Gn. 18:17-19).
Ora, se Deus confiava
tanto em Abraão, justificava-o e o havia escolhido para ser um instrumento de
sua redenção sobre a Terra, então, por que é que o Deus que revelou tais coisas
a Abraão esconderia do mesmo os pecados associados com a relação sexual?
Se Deus disse que
Abraão instruiria a sua casa a andar na presença do Senhor com justiça e juízo,
e Deus não mente7, então, não é de se
esperar que Deus lhe desse essas instruções, e que, de tão sérias e importantes
à vida do homem, as mesmas fossem escritas8 e repassadas de geração a geração.
Mas, Deus o fez? O amigo de Deus
teria sido instruído e instruiria a sua geração a respeito desse assunto tão
importante, capaz de levar o homem ao céu ou ao inferno, a vida e a morte? Ao
que consta na Bíblia, nunca!
Bom, também poderíamos
utilizar a ideia de que isso fora feito, mas, que os registros teriam sido
perdidos com o tempo, etc.; entretanto, fazer isso também seria contradizer a
nossa crença de que o Espírito Santo através do seu incontestável poder
preservou intactas as Escrituras bem como as reuniu para a salvação do homem,
ou seja, nesse ponto, você é quem decide no que acreditar. Há uma tênue linha
aqui.
2 Tg.
2:23 “E cumpriu-se a Escritura, que diz: E
creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus.”
4 Gl. 3:14,22,26-27,29
5 Gn. 11:30 “E Sarai foi estéril, não
tinha filhos.”
6 Gn. 17:1 “Sendo, pois, Abrão da idade de
noventa e nove anos, apareceu o SENHOR a Abrão, e disse-lhe: Eu sou o Deus
Todo-Poderoso, anda em minha presença
e sê perfeito.”
7 Nr. 23:19 “Deus não é homem, para que
minta; nem filho do homem, para que se arrependa; porventura diria e não faria? Ou falaria, e não confirmaria?”
8 Escritos do Tempo de Abraão: “Foi em Obeide, uns 7
km a oeste de Ur, que Woolley achou o “documento histórico mais antigo”... E
assim, fica-se sabendo que a comunidade de Abraão fora um centro de cultura
literária durante gerações, antes que o Patriarca nascesse” – Manual Bíblico,
Halley, Henry II.
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